Antes de morrer, um homem atropelado pede a um desconhecido, que correra para o salvar, um beijo na boca. O gesto provoca a reprovação pública, o preconceito sexual anima a perseguição policial e a especulação jornalística. No Brasil, à época, *O Beijo no Asfalto* (1960), de Nelson Rodrigues, “não foi um sucesso tranquilo”, provocou indignação e polémica. E aqui, agora? À vitalidade do olhar de Tónan Quito cabe a leitura desta “tragédia carioca” numa encenação que respeita o português do Brasil, reunindo um elenco de atrizes e atores brasileiros residentes em Portugal. A defesa da língua portuguesa, eixo programático das nossas produções para esta temporada, também se assume na paixão pelas suas variantes e sotaques. E quem melhor do que Nelson Rodrigues para nos dar a senti-la, tão virtuoso é o seu teatro “na utilização direta do idioma vivido”.
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