Vivemos num tempo de suspensão. Já não estamos apenas entre um antes e um depois, mas dentro de um depois que ainda não tomou forma. Entre crises sucessivas, guerras latentes e futuros incertos, instala-se a sensação persistente de que algo está a mudar profundamente. Habitamos um mundo em tensão, onde os sistemas afetivos, sociais e políticos perderam consistência e os equilíbrios se tornaram precários.
Neste contexto, surge uma pergunta urgente: **o que fazer com o depois?**
O que fazer depois de uma rutura, de uma perda, de uma crise ou de uma euforia? O que fazer quando aquilo que conhecíamos deixa de servir, mas nada novo se estabilizou ainda?
A partir de uma inquietação pessoal, a criação desloca-se para um território comum: o depois não como consequência, mas como condição contemporânea.
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