Falsas Histórias Verdadeiras: Uma Pina Colagem
Parte deFalsas Histórias Verdadeiras: Uma Pina Colagemsobre o evento
Espetáculo construído a partir da obra de Manuel António Pina, com direção de Victor Hugo Pontes e música de A Garota Não. SET DEZ 8 TEATRO NACIONAL SÃO JOÃOPROGRAMAÇÃO SET—DEZ 2026 9 Voltar a escutar 12 O tempo do começo 16 De regresso ao Mosteiro 20 Calendário da programação dentro e fora de portas 22 Maiúscula 36 Kung-Fu 38 Cantar de Galo 40 Relicário Perpétuo 42 Caravana 44 MUSICAL-MENTE 48 My Center Is Not in the Solar System 50 Solistas da Orquestra XXI: Morton Feldman 52 O Pai 54 O FIMP no TNSJ 58 Festa 68 TPC: Frei Luís de Sousaaa 70 Auto da Barca do Inferno + Conferência Marco Neves 72 O Conceito Inútil + residência 78 Roda-Viva (A Menina e o Círculo) 82 Schubertíada 84 Centro Educativo 86 Memórias do Cárcere 100 Auto da Casa 102 Conferência Maguy Marin 104 Centro de Documentação 106 Leituras no Mosteiro 108 Coleção Textos Dramáticos 110 Coleção Empilhadora 112 Conversas com o Dori 114 Acessibilidade 115 Bilhetes Sociais/Estreia Solidária 116 Visitas Guiadas 117 Bar Ubu 118 Assinaturas 120 Cartão Próspero + Cartão Amigo TNSJ + Cartão Escolas de Teatro e Dança 122 Atendimento e Bilheteira 123 Ficha técnica TNSJ 125 Mecenas BPI/ Fundação “la Caixa” 130 Escuta… e inclina o ouvido do teu coração. Regra de São Bento, Prólogo 1. Ausculta. É com este apelo que São Bento abre a sua Regra. Antes de ordenar o tempo, distribuir tarefas ou estabelecer os princípios de uma vida em comum, pede uma coisa muito simples, e muito difícil: escuta. Auscultar é talvez ainda mais do que ouvir. A palavra adquiriu uma ressonância particular: ausculta-se um corpo, aproximando dele o ouvido, à procura dos seus sinais mais discretos. A auscultação é uma escuta atenta e próxima, uma maneira de captar o que pulsa no interior das coisas. É exame, inquirição, sondagem. Talvez o Mosteiro de São Bento da Vitória – monumento de destino errático, por vezes esquecido – deva hoje ser auscultado. 2. Nos primeiros dias de Outubro, o Teatro Nacional São João reabre ao público o Mosteiro de São Bento da Vitória, depois de uma obra de requalificação que constitui a mais significativa intervenção do PRR Cultura na cidade do Porto e na região Norte. Fez-se em menos de dez meses, quando a previsão inicial apontava para um prazo mínimo de dezoito. Não houve derrapagens, nem de calendário nem de custos. Com um investimento no limiar dos cinco milhões de euros, a intervenção transforma consideravelmente este Monumento Nacional: recupera e valoriza o património edificado, melhora radicalmente as condições de conforto, acessibilidade e trabalho, moderniza infra-estruturas e equipamentos, e converte a chamada Sala do Tribunal numa pequena sala de espectáculos, concretizando um antigo desígnio do TNSJ. Um t erceiro piso – território finalmente conquistado nesta intervenção – permite agora projectar novos espaços de trabalho, com direito a vista desafogada sobre o Douro e as suas margens. Durante anos, trabalhar no Mosteiro teve qualquer coisa de degredo (também eu conheci, nos meus anos de editor, os seus rigores penitenciais). Hoje, o edifício que nos era mais inóspito torna-se, porventura, aquele que melhor nos acolhe. PEDR O SOBRADO Presidente do Conselho de Administração PR OGRAMA ÇÃ O SET—DEZ 2026 13 Voltar escutar a Temos razões para estar satisfeitos. Também inquietos. Uma obra só é verdadeiramente consequente quando produz conse- quências. Quando, em Julho, apresentámos publicamente a tempo- rada 2026-27, num Mosteiro ainda coberto de pó e atravessado por andaimes, com o Claustro Nobre convertido em depósito de equipa- mentos e materiais, quisemos deixar claro que a transformação em curso não era apenas material; era também espiritual – leia-se, programática. A obra abre caminho a uma nova fase da vida do Mosteiro na economia de programa do TNSJ. Obriga-nos, por isso, a escutá-lo de novo: a perceber o que este lugar é e pode vir a ser, que práticas pode acolher, que tempos e modos de encontro pode propi- ciar, como pode inscrever-se na cidade e que relações pode construir com artistas e públicos. 3. O Mosteiro de São Bento da Vitória é um gigante adormecido. A inter- venção agora concluída descobre-lhe o imenso potencial, larga- mente por explorar. Em 2007, o Estado português atribuiu ao TNSJ a ala nascente, parte da ala sul e o Claustro Nobre do Mosteiro. Essa afectação acarretou consideráveis responsabilidades patrimo- niais e operacionais; deu-nos também as melhores salas de ensaio do TNSJ e gabinetes de trabalho para equipas várias. A actividade pública do edifício permaneceu, porém, episódica ou rarefeita. A dimensão da equipa do TNSJ e os meios disponíveis, mobilizados pela vida intensa dos nossos dois teatros, não permitiram dar-lhe fôlego ou garantir-lhe cadência regular. Passámos a dizer que o Mosteiro estava antes e depois do espectáculo: aqui se trabalha e ensaia; aqui se arquiva e documenta. Tornou-se, para nós, lugar de gestação de projectos artísticos e também lugar de memória, através do Centro de Documentação e de uma exposição de cenografias agora reinventada. Auscultando, porém, estes quase vinte anos de actividade pública, identificamos sinais vitais de um carácter possível. Estão na abertura e partilha de processos criativos das edições do MAP/P (2012-14); nas residências e experiências colaborativas do SKITe/ Sweet & Tender Collaborations, que, no Verão de 2008, reuniu quatro dezenas de jovens artistas de várias nacionalidades; em acontecimentos performativos que resistem à categorização, como os trabalhos de Tania Bruguera, Romeo Castellucci e Josef Nadj que ali apresentámos; nos concertos de música de câmara que Filipe Pinto-Ribeiro comissariou nos últimos anos; nos colóquios internacionais realizados no âmbito do projecto Odisseia e noutros organizados em parceria com a União dos Teatros da Europa; e nas Leituras no Mosteiro, porventura a mais duradoura das inicia-
informações práticas
- música
- A Garota Não
- a partir da obra de
- Manuel António Pina
- direção
- Victor Hugo Pontes
ouvir & ver
- A garota não — DilúvioA Garota Não
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