Frank Gehry (1929–2025) é universalmente reconhecido como um dos grandes mestres da arquitetura contemporânea. A sua capacidade de transformar circunstâncias comuns em oportunidades de encontro, onde até os espaços intermédios podem ser lidos como um único vocabulário de movimento e emoção, responde ao espírito de cada lugar e ao *skyline* de cada cidade, inventando simultaneamente algumas das mais profundas mudanças de paradigma dos séculos XX e XXI.
Ao longo de oito capítulos temáticos, dezanove projetos evidenciam a mescla de instinto e intelecto patente no processo criativo de Gehry: desde a intimidade rebelde da sua casa em Santa Mónica até à coreografia urbana da Loyola Law School, passando pela monumentalidade fragmentada dos Escritórios Chiat/Day, pelas marés de titânio do Guggenheim de Bilbao e pelo velame musical do Walt Disney Concert Hall. Através de esquissos e maquetes de sonhos não construídos ou ainda em curso, a arquitetura emerge como um organismo vivo — tão pragmático e quimérico como qualquer ser humano, pleno de invenção e expressão poética.
A exposição revela igualmente o diálogo duradouro de Gehry com artistas e outros arquitetos, em particular Álvaro Siza, com quem colaborou no contexto do plano diretor para o ArtCenter College of Design, em Pasadena, e cuja amizade motivou inúmeros intercâmbios entre os Estados Unidos e Portugal. De Los Angeles a Berlim, de Paris a Nova Iorque, de Sydney a Toronto, as obras selecionadas representam a dissolução das fronteiras entre a escultura e a arquitetura, a gravidade e a fluidez, a memória e o futuro. Não se trata de uma retrospetiva, mas sim de uma celebração da liberdade, da imaginação e da coragem de continuar a ver o mundo de forma sempre nova, durante quase cem anos.
Os seguintes temas e a respetiva documentação projetual foram trabalhados de forma estreita com o departamento arquivístico do atelier Gehry Partners e os Frank Gehry Papers (2017.M.66), conservados no Getty Research Institute em Los Angeles:
**I. CRIAR ALGO FORA DO COMUM**
RESIDÊNCIA GEHRY
Santa Mónica, Califórnia, EUA. 1977–78
MOBILIÁRIO DE CARTÃO
Easy Edges. 1969–73
Experimental Edges. 1979–82
**II. JUSTAPOR ELEMENTOS E COMPOR O ESPAÇO INTERMÉDIO**
LOYOLA LAW SCHOOL
Los Angeles, EUA. 1978–2003
ESCRITÓRIOS CHIAT/DAY
Venice, Califórnia, EUA. 1985–91
**III. LER AS PARTES COMO UM TODO**
VITRA DESIGN MUSEUM
Weil am Rhein, Alemanha. 1987–89
WALT DISNEY CONCERT HALL
Los Angeles, EUA. 1987–2003
MUSEU GUGGENHEIM
Bilbau, Espanha. 1991–97
**IV. ENCONTRAR UM VOCABULÁRIO**
RESIDÊNCIA LEWIS
Lyndhurst, Ohio, EUA. 1989–95
**V. CRUZAR LINHAS: DE LOS ANGELES A PORTUGAL**
ARTCENTER COLLEGE OF DESIGN
Pasadena, Califórnia, EUA. 2000–01
PARQUE MAYER
Lisboa, Portugal. 2003–04
TAPEÇARIA FERREIRA DE SÁ
Espinho, Portugal. 2012
**VI. PROCURAR MOVIMENTO E EMOÇÃO**
DER NEUE ZOLLHOF
Düsseldorf, Alemanha. 1994–99
DZ BANK
Berlim, Alemanha. 1995–2001
HOTEL MARQUÉS DE RISCAL
Elciego, Espanha. 1999–2006
**VII. RESPONDER AO ESPÍRITO DO LUGAR**
FONDATION LOUIS VUITTON
Paris, França. 2004–14
ALA DR CHAU CHAK, UTS
Sydney, Austrália. 2009–14
**VIII. REFLETIR SOBRE O HORIZONTE**
LUMA FOUNDATION
Arles, França. 2007–21
8 SPRUCE STREET
Nova Iorque, EUA. 2003–11
FORMA, KING STREET
Toronto, Canadá. 2014–29 (estimado)
A exposição *O Século de Gehry* é organizada pela Fundação de Serralves e comissariada pelo seu Diretor de Arquitetura, António Choupina, em conjunto com o atelier Gehry Partners e em colaboração com o Getty.
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