**Lee Ufan**(n. 1936) é um artista sul-coreano cuja prática redefiniu o material, o espaço e a perceção da arte do pós-guerra. Como figura central e principal teórico do movimento vanguardista japonês *Mono-ha* (“Escola das Coisas”) do final da década de 1960 e início da década de 1970, Lee ajudou a afastar a arte da representação e a aproximá-la de encontros diretos com os materiais e as respetivas relações espaciais. Os artistas do *Mono-ha* destacavam materiais em estado bruto e inalterado — pedras, madeira, metal, vidro — colocados em justaposições simples de modo a revelar as suas qualidades inerentes e ativar o espaço circundante.
Paralelamente, Lee manteve uma ligação ao *Dansaekhwa*, o movimento coreano de pintura monocromática dos anos 1970. Na sua prática pictórica, Lee utiliza pinceladas mínimas, frequentemente únicas, em superfícies amplas e meticulosamente preparadas para explorar o respirar, o tempo, o vazio e a presença. Estes gestos criam um diálogo sereno entre a marca e a perceção do vazio, convidando a uma contemplação ponderada e silenciosa.
O conceito de *Relatum* — termo que adotou no início da década de 1970 para enfatizar o diálogo entre elementos, em vez do objeto autónomo — é central na obra escultórica de Lee. Nas obras *Relatum*, grandes pedras naturais, que Lee entende como tempo condensado, são conjugadas com materiais industriais, como placas de aço ou vidro. Através destas combinações, o espectador torna-se consciente do espaço, da gravidade e da tensão existente entre matéria, natureza, objetos artificiais e o espaço.
A ideia de *diálogo* veiculada por Lee está presente tanto na sua pintura quanto na sua escultura: pincelada e solo, pedra e aço, objeto e espectador nunca estão isolados, envolvem-se num diálogo mútuo que realça o espaço entre eles. Estas práticas concretizam o seu interesse de longa data na relação interior/exterior — o modo como as formas comunicam com o ambiente, como a presença está profundamente ligada à ausência, e como o significado surge através do encontro, da troca e do diálogo.
No contexto da sua primeira grande exposição em Portugal, na Casa e no Parque de Serralves, as experimentações estéticas de Lee ganham especial destaque. Aqui, os diálogos que o artista tem sustentado ao longo de seis décadas de prática desenvolvem-se entre a arquitetura construída e a paisagem. A apresentação inclui três esculturas ao ar livre, instaladas no parque e enquadrando encontros diretos entre pedra, aço e ambiente; seis pinturas, incluindo uma *site-specific*, cuja carga meditativa contrasta com a estrutura arquitetónica; e três esculturas instaladas dentro da casa, cada uma configurada para revelar a tensão entre os materiais e os seus contextos.
Ao situar o trabalho de Lee Ufan nos interiores ordenados da casa e nas extensões naturais do parque, a exposição encena a pesquisa rigorosa do artista sobre a interação entre interior/exterior, objeto e paisagem, bem como o encontro perspicaz que Lee articula há muito— afirmando a arte como um diálogo contínuo e ativo com o mundo.
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